
O governo do estado de São Paulo multou a rede varejista Fast Shop em R$ 1,04 bilhão por corrupção e fraude tributária. A punição, aplicada após investigação da Controladoria Geral do Estado (CGE-SP), é a maior já registrada no Brasil com base na Lei Anticorrupção. Segundo o governo, a empresa ofereceu vantagens indevidas a agente público, obteve benefícios fiscais de forma irregular e interferiu em fiscalizações tributárias.
O caso é desdobramento da Operação Ícaro, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo em 2025.
A investigação aponta que a Fast Shop contratou a Smart Tax Consultoria, empresa ligada ao ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto. O esquema consistia na recuperação irregular de créditos tributários de ICMS com uso de informações privilegiadas obtidas dentro da própria Receita Estadual.
A CGE-SP afirma que a varejista tinha conhecimento do uso indevido dos dados fiscais e utilizava seu próprio certificado digital nas operações, o que a torna diretamente implicada na conduta.
O governo aponta ainda que houve promessa de facilitação de processos tributários e de blindagem contra fiscalizações. Do total de R$ 1,59 bilhão em créditos tributários analisados, R$ 1,04 bilhão teria sido obtido de forma ilícita, valor que corresponde exatamente à multa aplicada.
Dois sócios e um diretor da Fast Shop fecharam acordo com o Ministério Público e pagarão R$ 100 milhões em prestação pecuniária penal. O MP também sugeriu mudanças nos sistemas de ressarcimento de ICMS para prevenir novas fraudes e fortalecer os controles internos da Receita Estadual.
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11 Mayo 2026