
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) obteve patente de um novo método de tratamento contra a malária junto ao United States Patent and Trademark Office, o escritório americano de marcas e patentes. O método é baseado no composto DAQ, que demonstrou eficácia contra cepas resistentes do Plasmodium falciparum, espécie responsável pela forma mais grave da doença, e resultados promissores contra o Plasmodium vivax. A patente é válida até 5 de setembro de 2041.
O avanço é relevante em um contexto em que o parasita causador da malária continua evoluindo e desenvolvendo resistência aos tratamentos disponíveis, o que torna urgente o desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas.
O mecanismo de ação do composto é semelhante ao da cloroquina, medicamento amplamente utilizado no tratamento da malária. O DAQ bloqueia a capacidade do parasita de neutralizar substâncias tóxicas produzidas durante sua própria alimentação, levando-o à morte. O diferencial em relação à cloroquina está em uma característica estrutural específica — uma ligação tripla na molécula — que permite ao composto superar os mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita ao longo do tempo.
Os estudos demonstraram ação rápida nas fases iniciais da infecção e eficácia tanto em cepas sensíveis quanto em resistentes aos tratamentos convencionais.
Além da eficácia, o potencial de baixo custo de produção do DAQ é apontado como um diferencial importante. A malária é endêmica em regiões de baixa renda da África, Ásia e América Latina, onde o acesso a medicamentos caros é limitado. Um tratamento eficaz e acessível teria impacto direto sobre populações historicamente desassistidas.
A descoberta é resultado da retomada de estudos antigos com o uso de técnicas científicas modernas, sob coordenação da pesquisadora Antoniana Krettli. O trabalho contou com parcerias da University of California San Francisco, da Universidade Federal de Alagoas, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Universidade Federal de São Paulo.
Antes de chegar aos pacientes, o composto ainda precisa passar por testes de toxicidade, definição de dose adequada e desenvolvimento da formulação farmacêutica. As etapas são obrigatórias no processo de aprovação de qualquer novo medicamento e devem ocorrer nos próximos anos.
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8 Mayo 2026