
Foto: Rafael Lavenère/BRB
A Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), na Operação Compliance. A prisão preventiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que teria envolvido o pagamento de propina de R$ 146,5 milhões ao ex-dirigente do banco público, negociada com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que também está preso por decisão do STF.
Segundo as investigações da Polícia Federal, o esquema consistia no uso do BRB para adquirir carteiras de crédito fictícias do Banco Master, operação que já gerou a identificação de pelo menos R$ 12,2 bilhões em ativos problemáticos adquiridos pelo banco público.
Em troca, Paulo Henrique Costa teria negociado o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina de Vorcaro. Parte desse valor seria paga por meio de imóveis de alto padrão localizados em São Paulo e Brasília. A PF já rastreou cerca de R$ 74 milhões do total acertado — o restante não teria sido repassado após o surgimento de indícios de que Vorcaro teve acesso antecipado a informações sobre o andamento das investigações.
Além de Costa, a operação também resultou na prisão do advogado Daniel Monteiro, apontado pela PF como testa de ferro no esquema. Segundo as investigações, Monteiro teria recebido R$ 86,1 milhões em nome do ex-presidente do BRB, atuando como intermediário para ocultar a origem e o destino dos recursos ilícitos. O uso de terceiros para receber e movimentar valores é uma prática comum em esquemas de corrupção de grande escala e dificulta o rastreamento direto dos pagamentos pelas autoridades.
O ministro André Mendonça justificou a decretação da prisão preventiva com base em três fundamentos: o risco de ocultação de bens e valores ainda não rastreados, a possibilidade de interferência nas investigações em curso e a indicação de que o esquema financeiro ilícito poderia estar em continuidade.
A existência de indícios de que Vorcaro teve acesso prévio a informações sigilosas sobre a investigação reforça a preocupação da Corte com a integridade do processo e a necessidade de medidas cautelares mais restritivas.
Noticias(d)
16 Abril 2026