
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil
O governo federal afirmou que cabe ao Brasil definir, por meio de suas próprias instituições, leis e forças de segurança, como o crime organizado deve ser combatido no país. A declaração é uma resposta à decisão dos Estados Unidos de classificar organizações narcotraficantes como grupos terroristas.
O Palácio do Planalto argumentou que facções criminosas brasileiras como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho atuam com objetivo de lucro, por meio do tráfico de drogas e armas, o que as diferencia do terrorismo internacional de motivação ideológica, política ou religiosa.
O governo reconheceu que essas organizações promovem terror em comunidades brasileiras, mas sustentou que não se enquadram no conceito internacional de terrorismo.
O comunicado alertou que ações unilaterais dos Estados Unidos na área podem prejudicar o combate ao crime ao dificultar o compartilhamento de informações policiais, além de afetar o sistema financeiro brasileiro e impactar o Pix.
O Planalto criticou diretamente integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro por buscarem apoio estrangeiro para interferir em assuntos internos do Brasil. Segundo o governo, o senador Flávio Bolsonaro pediu ao presidente americano Donald Trump que classificasse facções brasileiras como organizações terroristas.
O comunicado chamou os responsáveis pela iniciativa de "falsos patriotas" e afirmou que o debate sobre segurança pública estaria sendo "manipulado politicamente".
O governo destacou a aprovação recente de leis mais duras contra facções e milícias, com penas que podem chegar a 80 anos de prisão, e citou o programa federal Brasil Contra o Crime Organizado como parte da estratégia de enfrentamento às organizações criminosas em diferentes níveis.
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29 Mayo 2026