
Foto: José Cruz/Agência Brasil
O governo federal respondeu nesta quarta-feira (13) às tarifas punitivas americanas com artilharia pesada: o plano "Brasil Soberano", que disponibiliza R$ 30 bilhões em crédito para empresas afetadas pela sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
A estratégia prioriza pequenas empresas e produtores de alimentos perecíveis - setores que não têm a mesma capacidade de absorver choques externos que as grandes multinacionais. Durante o anúncio no Planalto, o presidente Lula foi direto ao ponto: "Ninguém ficará desamparado pela taxação do presidente Trump".
A medida, que será viabilizada por medida provisória, terá como foco produtores de espinafre, frutas, mel, empresas de máquinas e outros pequenos exportadores - justamente os segmentos que podem sofrer mais com o fechamento abrupto do mercado americano.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não poupou críticas à decisão de Trump, classificando-a como uma retaliação política disfarçada de medida econômica: "O Brasil está sendo sancionado por ser mais democrático que o seu agressor. É uma retaliação injustificável do ponto de vista político e econômico". A declaração reflete o entendimento do governo de que as tarifas americanas vão além de questões comerciais, sendo parte de uma pressão política mais ampla contra o Brasil.
O crédito será classificado como extraordinário, ficando fora do limite constitucional de gastos - o mesmo modelo usado em 2024 para socorrer vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. A escolha do mecanismo sugere que o governo vê a situação como uma emergência econômica que justifica flexibilização fiscal.
Além do apoio financeiro imediato, o plano busca preservar empregos e abrir novos mercados para os setores afetados - uma estratégia de longo prazo que pode até ser benéfica para reduzir a dependência brasileira do mercado americano.
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13 Agosto 2025