
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Um boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta situação de alerta ou risco elevado para síndromes gripais em 18 estados brasileiros e no Distrito Federal. Pelo menos 13 dessas unidades federativas apresentam tendência de aumento de casos nas próximas semanas, configurando um cenário epidemiológico que preocupa especialistas em saúde pública, especialmente pela circulação simultânea de três vírus respiratórios com potencial de causar complicações graves em grupos vulneráveis.
O panorama virológico atual é dominado pelo rinovírus, responsável por 40,8% dos casos identificados. Em seguida aparecem o Influenza A, com 30,7%, e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), com 19,9%. Embora o rinovírus seja a causa mais frequente de resfriados comuns, é o VSR que mais preocupa os especialistas: o patógeno tem alta capacidade de transmissão e é a principal causa de bronquiolite em crianças menores de dois anos, podendo evoluir para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e exigir internação hospitalar.
Os sintomas iniciais das infecções respiratórias incluem coriza, tosse, febre, espirros, congestão nasal e chiado no peito. Na maioria dos casos, o quadro evolui de forma leve e se resolve sem necessidade de atendimento médico especializado.
Nos grupos de risco, no entanto, a doença pode progredir rapidamente para formas graves, com dificuldade respiratória, cianose, coloração azulada da pele por falta de oxigênio, alteração do estado mental e recusa alimentar, especialmente em bebês. Diante de qualquer um desses sinais, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente.
Os grupos mais vulneráveis às complicações são crianças menores de dois anos — com atenção especial aos bebês com menos de seis meses —, prematuros, pacientes com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas, pessoas com condições neurológicas, idosos e imunossuprimidos. Para esses grupos, a infecção por VSR ou Influenza pode representar um risco real de internação e complicações graves, o que reforça a importância das medidas preventivas e do monitoramento próximo dos primeiros sintomas.
O diagnóstico das infecções respiratórias é geralmente clínico, feito com base nos sintomas e no histórico do paciente. Em casos graves, pode ser utilizado o exame RT-PCR para identificar o agente causador. Não existe tratamento específico para o VSR: o manejo é de suporte, com hidratação adequada, controle da febre e, quando necessário, suplementação de oxigênio em ambiente hospitalar. Para a Influenza, antivirais como o oseltamivir podem ser indicados em casos selecionados, especialmente nos grupos de risco.
No campo da vacinação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou recentemente o uso da vacina Arexvy contra o VSR para maiores de 18 anos — anteriormente, o imunizante era autorizado apenas para pessoas com 60 anos ou mais. O SUS oferece a vacina para gestantes, estratégia que confere proteção passiva ao bebê nos primeiros meses de vida. Para bebês em situação de risco, estão disponíveis anticorpos monoclonais: o palivizumabe, já utilizado há anos, e o nirsevimabe, aplicado em dose única e com proteção prolongada, uma opção mais prática para a rotina das famílias.
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16 Abril 2026