
Foto: divulgação
Duas construtoras estrangeiras protocolaram propostas nesta segunda-feira (1º) para o leilão do túnel imerso Santos-Guarujá, projeto orçado em R$ 5,8 bilhões. A portuguesa Mota-Engil, com participação da chinesa CCCC, e a espanhola Acciona disputarão sozinhas o certame marcado para sexta-feira (5).
O leilão ficou restrito às duas empresas estrangeiras após a desistência de dois grupos brasileiros que eram considerados favoritos. A antiga Odebrecht (atual Novonor) e a Andrade Gutierrez abandonaram a disputa, frustrando expectativas de que o projeto representasse uma oportunidade de reabilitação no mercado nacional.
As construtoras brasileiras pretendiam participar em consórcios: a Novonor em parceria com a Queiroz Galvão, e a Andrade Gutierrez com a italiana Webuild. O projeto era visto por executivos como uma chance de recuperação da imagem após as condenações da Operação Lava Jato.
O túnel Santos-Guarujá será o primeiro do tipo na América Latina e representa um marco na engenharia nacional. A estrutura terá 860 metros de extensão, ficará a 21 metros de profundidade e contará com seis pistas - três para cada sentido de tráfego.
O projeto também prevê infraestrutura para pedestres e ciclistas, atendendo a diferentes modalidades de transporte. As autoridades estimam circulação diária de pelo menos 150 mil pessoas pela nova via.
O túnel promete transformar radicalmente a mobilidade entre Santos e Guarujá, já que atualmente a ligação entre as duas cidades é feita por balsa ou pela Rodovia Piaçaguera-Guarujá, opções que dependem das condições de trânsito e disponibilidade de embarcações.
A obra integra o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e é estruturada pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) em parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos. O projeto representa um dos maiores investimentos em infraestrutura de mobilidade urbana do país.
O investimento total de R$ 5,8 bilhões será dividido entre recursos públicos e privados. Do montante, R$ 5,14 bilhões virão de fundos federais e estaduais, enquanto R$ 1,67 bilhão será aportado pela iniciativa privada através de uma Parceria Público-Privada (PPP).
A empresa vencedora receberá uma concessão de 30 anos que abrange construção, operação e manutenção do túnel. Durante o período, a concessionária poderá cobrar tarifa de travessia estimada em valor semelhante ao das balsas atuais, de R$ 6,15, com reajustes baseados na inflação.
O túnel era uma demanda esperada há quase 100 anos pela população da Baixada Santista, que há décadas convive com os gargalos de mobilidade entre as duas importantes cidades do litoral paulista.
2 Septiembre 2025