
Lula e Donald Trump. Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Jim Watson/AFP
O governo brasileiro decidiu jogar no campo das regras internacionais para contestar a polêmica tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Nesta quarta-feira (6), o país formalizou um pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) - o primeiro passo oficial para questionar a medida adotada por Trump.
A decisão foi tomada pelo Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Na prática, o Brasil está apostando no diálogo institucional antes de partir para medidas mais duras: se as consultas não renderem frutos, o próximo passo seria solicitar a abertura de um painel arbitral na OMC.
A taxação, que começou a valer no início de agosto, carrega uma pitada de provocação e disputa política: além das justificativas econômicas habituais, Trump condenou ações do Supremo Tribunal Federal brasileiro como a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e ameaçou punir o ministro Alexandre de Moraes. Para o governo, isso representa um uso inadequado de instrumentos comerciais para pressionar questões que vão além da economia e uma clara interferência estrangeira no país.
"O Brasil entende que a medida adotada pelos Estados Unidos carece de fundamento legal e fere as regras do comércio internacional", afirmou o MDIC em nota oficial. A pasta também reforçou o compromisso de seguir "em defesa dos interesses nacionais e do livre comércio baseado em regras multilaterais".
A ação na OMC não é um movimento isolado. O Itamaraty tem trabalhado nos bastidores diplomáticos para conseguir apoio de outros países, uma estratégia que busca mostrar que a questão vai além de uma disputa bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
7 Agosto 2025