Santa Catarina decreta estado de alerta climático por 180 dias diante do fenômeno climático El Niño

Medida assinada pelo governador Jorginho Mello prevê investimentos em monitoramento, modernização de barragens e mobilização de órgãos estaduais

Santa Catarina decreta estado de alerta climático por 180 dias diante do fenômeno climático El Niño

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, assinou decreto que estabelece estado de alerta climático no estado por 180 dias, com vigência até novembro de 2026 e possibilidade de prorrogação. A medida tem caráter preventivo e busca reforçar a capacidade de resposta do estado diante do risco de chuvas intensas, enchentes e alagamentos associados ao fenômeno El Niño. O decreto não configura situação de emergência nem estado de calamidade pública.

O alerta é respaldado por dados climáticos: estudos nacionais e da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) apontam mais de 80% de chance de formação do El Niño a partir de julho de 2026, com expectativa de pico entre dezembro deste ano e janeiro de 2027.

O que o decreto prevê

Entre as ações anunciadas pelo governo estadual estão investimentos em monitoramento climático, capacitação técnica, modernização de barragens e mobilização de órgãos estaduais para prevenção e resposta a desastres. O decreto também autoriza o uso do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundec) para financiar essas medidas.

O texto estabelece ainda critérios objetivos para que municípios possam decretar situação de emergência de forma autônoma. Entre as condições previstas estão chuvas acima de 80 mm em 24 horas, desabrigamento de famílias, interrupção de serviços essenciais, ocorrência de deslizamentos e emissão de alertas laranja ou vermelho pela Defesa Civil.

Histórico e riscos para o Sul

Santa Catarina acumula um histórico marcado por eventos climáticos severos ligados ao El Niño. O estado registrou enchentes de grande impacto em 1983 e 2023, episódios que reforçam a necessidade de preparação antecipada.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) já alertou para chuvas acima da média e temperaturas superiores ao normal na região Sul, com maior risco de eventos extremos nos próximos meses. Institutos ligados aos ministérios da Agricultura e da Ciência e Tecnologia também alertam para possíveis impactos na produção de arroz, feijão e milho em função do fenômeno.

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19 Mayo 2026