Procon Carioca notifica Light após apagão de mais de 48 horas no Leme e em Copacabana

Concessionária tem 24 horas para apresentar esclarecimentos Defensoria Pública ajuizou Ação Civil Pública para restabelecimento imediato da energia ou instalação de geradores.

Procon Carioca notifica Light após apagão de mais de 48 horas no Leme e em Copacabana

O Procon Carioca notificou a concessionária Light nesta segunda-feira (5) após moradores do Leme e de Copacabana ficarem mais de 48 horas sem energia elétrica. A empresa tem prazo de 24 horas para apresentar esclarecimentos sobre as causas do apagão, plano de ação para normalização definitiva do serviço e medidas de compensação aos consumidores afetados, sob pena de multa. Embora a energia tenha sido restabelecida em alguns pontos nesta segunda-feira, diversas áreas seguem sem luz ou com fornecimento precário. A Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ) também entrou com Ação Civil Pública exigindo o restabelecimento imediato do serviço ou a instalação de geradores nas áreas afetadas.

Exigências do Procon Carioca

O Procon Carioca estabeleceu uma série de exigências que devem ser cumpridas pela Light em resposta ao apagão prolongado. Entre as principais demandas estão o ressarcimento por perda de alimentos perecíveis que estragaram devido à falta de refrigeração, indenização por danos a eletrodomésticos queimados por oscilações na rede elétrica e abatimento proporcional nas contas de energia referentes ao período sem fornecimento.

O órgão de defesa do consumidor também exige apuração detalhada da falha grave e reiterada na prestação de um serviço considerado essencial. O Procon classificou como violação do Código de Defesa do Consumidor a falta de comunicação adequada com os consumidores e a ausência de cronograma claro para normalização do serviço, deixando moradores sem informações precisas sobre quando teriam a energia restabelecida.

Impactos severos em moradores e comércio

Os impactos do apagão prolongado foram sentidos intensamente tanto por moradores quanto pelo comércio local. Famílias perderam alimentos perecíveis que estragaram em geladeiras desligadas, eletrodomésticos foram danificados por oscilações na rede elétrica, e a dificuldade de comunicação aumentou devido à impossibilidade de carregar celulares e outros dispositivos eletrônicos.

A sensação de insegurança aumentou significativamente, especialmente em prédios onde portões elétricos e câmeras de segurança ficaram inoperantes. Estabelecimentos comerciais tiveram prejuízos financeiros expressivos, com padarias e restaurantes paralisados por dias, perdendo produção e faturamento. Moradores de edifícios altos enfrentaram dificuldades de locomoção pela impossibilidade de usar elevadores, afetando especialmente idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

Falta de transparência gera críticas

A Light tem sido duramente criticada pela falta de transparência sobre as causas reais do apagão. A ausência de informações claras à população sobre o que provocou a interrupção no fornecimento de energia e sobre a previsão realista para normalização gerou revolta entre os moradores afetados.

A situação se agravou quando a Polícia Militar informou não ter sido acionada para ocorrências de furto de cabos na região durante o período do apagão, lançando dúvidas sobre a versão apresentada pela concessionária. A falta de comunicação efetiva e de um cronograma confiável foi considerada pelo Procon como violação dos direitos básicos do consumidor.

Protesto de moradores com panelaço

Revoltados com a situação, moradores do Leme e de Copacabana realizaram um panelaço na noite de domingo (4), demonstrando indignação com a demora no restabelecimento da energia elétrica. O protesto reuniu dezenas de pessoas que bateram panelas de suas janelas e sacadas, em manifestação que se tornou audível em toda a região.

Além dos moradores, estabelecimentos comerciais da região sofreram prejuízos significativos com o apagão prolongado. Uma padaria no Leme ficou fechada por dias consecutivos, com toda a produção paralisada e perda completa de faturamento no período, que inclui o fim de semana, tradicionalmente um dos momentos de maior movimento.


Defensoria Pública entra com ação judicial

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro passou a acompanhar o caso oficialmente desde domingo (4), após receber relatos de moradores sobre a interrupção total do fornecimento de energia desde sábado (3), por volta das 17h. Diversas previsões de restabelecimento fornecidas pela Light ao longo do fim de semana não foram cumpridas, aumentando a frustração e os prejuízos.

Na manhã de segunda-feira (5), a DPRJ ajuizou Ação Civil Pública com o objetivo de garantir o restabelecimento imediato da energia elétrica nas áreas afetadas. Como alternativa, a Defensoria solicitou à Justiça que determine a instalação de geradores nas regiões que continuam sem luz, garantindo ao menos fornecimento emergencial enquanto os problemas técnicos não são solucionados definitivamente.

Situação do abastecimento de água

A concessionária Águas do Rio informou que o abastecimento de água na região está normalizado. As comunidades Chapéu-Mangueira e Babilônia, que tiveram seus sistemas de bombeamento de água afetados pela falta de energia elétrica, já tiveram os serviços retomados.

Como medida emergencial, foi instalado um gerador temporário na Ladeira Ary Barroso para garantir o funcionamento dos sistemas de bombeamento enquanto o fornecimento de energia elétrica não é completamente restabelecido. A normalização do abastecimento de água alivia ao menos um dos problemas enfrentados pelos moradores, que já lidavam com múltiplas dificuldades decorrentes do apagão.

Posicionamento do Procon sobre serviços essenciais

Em sua notificação, o Procon Carioca enfatizou que a energia elétrica é um serviço essencial que não pode permanecer interrompido por períodos prolongados. O órgão destacou que cabe à concessionária fornecer informações claras e precisas à população, assumir responsabilidade pelos problemas e garantir compensação integral aos consumidores pelos prejuízos sofridos.

O Procon sinalizou que atuará de forma rigorosa para garantir que os direitos da população sejam respeitados e que a Light seja responsabilizada por falhas na prestação do serviço. A notificação estabelece precedente importante para casos futuros e reforça o papel do poder público na fiscalização de empresas que prestam serviços essenciais à população.

Procurada para comentar as causas do apagão, as medidas tomadas para normalização do serviço e o cronograma definitivo de restabelecimento, a Light ainda não se manifestou oficialmente até o fechamento desta reportagem. A ausência de posicionamento público da concessionária adiciona mais uma camada de críticas sobre a gestão da crise.

O apagão no Leme e em Copacabana não é um caso isolado. A Light tem enfrentado críticas recorrentes sobre a qualidade do serviço prestado, especialmente em relação ao tempo de resposta para restabelecimento de energia após interrupções. Moradores de diversas regiões do Rio de Janeiro frequentemente relatam oscilações na rede, apagões não programados e demora excessiva para resolução de problemas técnicos.

6 Enero 2026