Privatizações da Sabesp e da EMAE beneficiam banqueiros e prejudicam população

O Governador Tarcísio privatiza empresas importantes, beneficia doadores de campanha e deixa os paulistanos desamparados.

Privatizações da Sabesp e da EMAE beneficiam banqueiros e prejudicam população

Privatizar virou sinônimo da gestão Tarcísio. O governador avançou com a venda e concessão de empresas públicas, cumprindo compromissos assumidos durante a campanha. No entanto, por trás desse processo, há indícios de uma engrenagem que conecta doações milionárias, interesses privados e relações políticas que merecem ser investigadas com atenção.

Quem pagou a conta foi o povo

A privatização da Sabesp, parte da troca de favores entre o governador Tarcísio e sócios do Banco Master, custou caro para a população de São Paulo. Uma obra da Sabesp, no bairro do do Jaguaré, causou uma explosão que matou duas pessoas e deixou dezenas de famílias desabrigadas.

Além da precariedade das obras, a população relata falta de água e a entrega de água suja e imprópria para consumo.

Mesmo após a promessa de Tarcísio, as contas da Sabesp tiveram um aumento substancial em janeiro de 2026, além de diversas denúncias de cobranças abusivas.


A preço de banana

Milagrosamente, o leilão de venda da Sabesp não teve concorrência, e a única empresa a se apresentar foi a Equatorial Energia.

Tarcísio cedeu uma parte da gigante do saneamento para a Equatorial. Seu CEO? Carlos Piani, apontado pelas investigações como sócio de Nelson Tanure.

Novamente, Tarcísio vendeu a estatal abaixo do preço, com perda de pelo menos R$ 4,5 bilhões para os cofres públicos.

Doação milionária

Para entender a venda da Sabesp, é preciso conhecer Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o maior doador individual da campanha de Tarcísio de Freitas, em 2022: o pastor doou R$ 2 milhões.

A doação representou 5% do valor total gasto na campanha, valor considerado altíssimo para doação de pessoa física.

Em março deste ano, Fabiano Zettel foi preso na operação Compliance Zero, que investiga o rombo bilionário deixado pelo Banco Master.


Retorno milionário

Tarcísio foi eleito, e os favores ao Banco Master começaram a aparecer. Além da Sabesp, Tarcísio privatizou a EMAE por R$ 1 bilhão, valor muito abaixo do preço de mercado.

Pouca gente deu atenção na época, mas quem comprou a EMAE foi o Fundo Phoenix, comandado por Nelson Tanure.

Tanure é apontado pela Polícia Federal como dono oculto do Banco Master. Segundo apurado pela CPI, Tanure era quem verdadeiramente mandava no Banco: o empresário tinha mais poder dentro do Master que o próprio Daniel Vorcaro.

Após saírem à luz os vínculos entre Tanure e o Banco Master, uma forte suspeita ficou pairando no ar: a doação milionária do Banco Master para a campanha de Tarcísio foi doação ou investimento?

Num piscar de olhos, Tarcísio deu de bandeja o caixa das duas estatais mais importantes do estado para o Banco Master.

Dinheiro público para o Banco Master

Com o caixa da EMAE nas mãos, Nelson Tanure investiu R$ 160 milhões da estatal em CDBs do Banco Master. Esse valor representa 5% dos ativos da EMAE.

Logo depois, o Banco Master foi liquidado, e a estatal teve que ir à justiça para tentar reaver os milhões investidos.

Ou seja, Nelson Tanure investiu milhões em dinheiro público no próprio Banco (o Master).


A jogada do Master

Em outubro do ano passado, um mês antes do Banco Master ser liquidado, o banco de Daniel Vorcaro, Zettel e Nelson Tanure jogou sua última cartada: a compra da EMAE pela Sabesp.

A doação para Tarcísio tinha rendido seus frutos: a EMAE estava sob controle do dono do Master e já tinha investido milhões no próprio Banco, e a Sabesp também compunha o caixa do grupo.

A compra de 70% da EMAE pela Sabesp apenas confirmou o que a Justiça suspeitava: as privatizações de Tarcísio fizeram parte de um grande esquema de troca de favores entre o governador e o Banco Master.

Família Bolsonaro também lucrou

Além da doação milionária para Tarcísio, o Banco Master também doou para a campanha de Jair Bolsonaro.

O cunhado de Daniel Vorcaro depositou R$ 3 milhões, via pix, diretamente na conta do ex-presidente. A maior doação individual da campanha.

É aí que entra um fato, no mínimo, suspeito: Flávio Bolsonaro financiou uma mansão de R$ 6 milhões com o Banco de Brasília, o BRB.

O financiamento foi considerado suspeito, pela baixa taxa de juros e pelo valor exorbitante. Flávio Bolsonaro, declarando apenas seu salário de senador, quitou a casa 27 anos antes do previsto.

O curioso é que, meses depois, o Banco de Brasília tentou comprar o Banco Master para salvá-lo da falência, mesmo cercado de denúncias de fraude.

O mesmo BRB de Ibaneis Rocha, que emprestou o dinheiro para Flávio Bolsonaro adquirir sua luxuosa mansão.

A sequência de fatos conecta personagens, doações e decisões que, até hoje, estão ainda para serem esclarecidas pelas autoridades competentes.

emaeprivatizacoessabespTarcísio de Freitas

30 Mayo 2026