
O governo federal enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 com proposta de salário mínimo de R$ 1.717, representando um aumento nominal de 5,92% em relação ao valor atual. O reajuste segue a política de valorização do salário mínimo retomada em 2023, que combina a correção pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) com o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) registrado dois anos antes.
A fórmula utilizada pelo governo combina dois componentes. O primeiro é a reposição da inflação pelo INPC, projetada em 3,06% para o período de referência. O segundo é o ganho real, baseado no crescimento do PIB de dois anos anteriores. Esse modelo já havia sido adotado entre 2006 e 2019, durante os governos Lula e Dilma Rousseff, e foi retomado em 2023 como política de valorização do poder de compra dos trabalhadores de menor renda. Para 2027, o crescimento do PIB permite a aplicação do ganho real dentro dos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal.
A principal restrição ao reajuste do salário mínimo nos próximos anos é o novo arcabouço fiscal, aprovado em 2024, que impõe um teto de crescimento real entre 0,6% e 2,5% acima da inflação. Para 2027, o desempenho econômico recente permite que o reajuste seja aplicado dentro desse intervalo, mas o limite pode ser atingido em anos de crescimento mais expressivo do PIB, o que significa que o salário mínimo não necessariamente acompanhará todo o ganho de produtividade da economia caso o PIB cresça além do teto permitido pelo arcabouço.
O PLDO também traz estimativas preliminares para os anos seguintes, sujeitas a revisão conforme a evolução da economia. As projeções indicam um salário mínimo de R$ 1.812 em 2028, R$ 1.913 em 2029 e R$ 2.020 em 2030 — quando o piso nacional ultrapassaria a marca simbólica de dois mil reais. Os valores são calculados com base nas expectativas atuais de inflação e crescimento econômico e podem ser alterados nos PLDOs dos anos seguintes, dependendo do desempenho efetivo da economia brasileira.
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15 Abril 2026