Degelo acelerado já despejou 9 mil km³ de gelo nos oceanos e ameaça cidades costeiras

41% do volume derretido nos últimos 50 anos ocorreu apenas entre 2015 e 2024 Brasil sofre com aumento de eventos extremos ligados a mudanças climáticas.

Degelo acelerado já despejou 9 mil km³ de gelo nos oceanos e ameaça cidades costeiras

O planeta perdeu 9.179 gigatoneladas (Gt) de gelo desde 1976, volume equivalente a 9 mil km³ de água — quantidade semelhante ao que o Rio Amazonas despeja no Oceano Atlântico em 470 dias. O dado mais alarmante é que 41% desse total derreteu apenas entre 2015 e 2024, evidenciando aceleração dramática do processo nas últimas décadas.

Do volume total derretido, 98% foi parar nos oceanos desde 1990, elevando o nível do mar e ameaçando cidades costeiras em todo o mundo. Os dados são do estudo "Planeta em Degelo", baseado em informações do Programa Antártico Brasileiro e do World Glacier Monitoring Service.

A maior parte da perda de gelo ocorreu nas calotas polares da Antártica e da Groenlândia. Desde 2002, essas regiões perderam 8 mil gigatoneladas de gelo — ritmo muito mais acelerado que nas décadas anteriores, quando o derretimento era mais gradual. O aquecimento global tem impacto desproporcional nas regiões polares, onde as temperaturas sobem mais rapidamente que a média global, fenômeno conhecido como amplificação ártica e antártica.

O derretimento acelerado está diretamente relacionado aos recordes consecutivos de temperatura registrados em 2023, 2024 e 2025. Segundo o estudo, eventos como chuvas extremas, ondas de calor, queimadas e degelo acelerado são "sintomas" da mesma mudança climática.

O impacto mais direto e visível do degelo é a elevação do nível do mar, que avança sobre áreas continentais e amplia o risco para cidades costeiras. Além da inundação de áreas baixas, o avanço do mar causa erosão costeira, salinização de aquíferos e perda de ecossistemas litorâneos.

Outra consequência preocupante é a alteração da salinidade dos oceanos. A entrada massiva de água doce dilui o sal marinho, afetando correntes oceânicas que regulam o clima global, como a Corrente do Golfo no Atlântico Norte.

Além disso, o enfraquecimento de correntes marítimas importantes representa uma das ameaças mais graves do degelo acelerado. Essas correntes funcionam como "esteiras rolantes" que distribuem calor pelo planeta, regulando temperatura e padrões climáticos. Cientistas alertam que o colapso dessas correntes poderia provocar mudanças climáticas abruptas em várias regiões do mundo, incluindo invernos mais rigorosos na Europa e alterações nos padrões de chuva nos trópicos.

Brasil sofre com mudanças na circulação oceânica da Antártica

As mudanças na circulação oceânica da Antártica têm impacto direto sobre o Brasil, afetando o Atlântico Sul, padrões de chuva, formação de frentes frias e ocorrência de eventos extremos. A conectividade entre o oceano austral e o clima brasileiro é mais forte do que se imaginava.

Segundo documento apresentado na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), a frequência de desastres ligados a frentes frias e ciclones na costa brasileira aumentou 19 vezes em 30 anos — crescimento dramático que reflete as alterações climáticas globais.

O aumento de 19 vezes na frequência de desastres ligados a frentes frias e ciclones evidencia a vulnerabilidade do Brasil às mudanças climáticas. Episódios como as chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e Santa Catarina em anos anteriores são exemplos dessa nova realidade.

Cidades litorâneas brasileiras precisam se preparar para eventos cada vez mais intensos e frequentes, incluindo ressacas, alagamentos costeiros e ciclones tropicais mais fortes.

Noticias(d)

2 Marzo 2026