
O Brasil registrou em 2024 a menor taxa de homicídios desde o início da série histórica do Atlas da Violência, levantamento produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A taxa nacional caiu para 20,1 homicídios por 100 mil habitantes, redução de 7,4% em relação a 2023. Em números absolutos, foram 42.590 assassinatos, queda de 6,9% no comparativo anual.
No acumulado da série histórica, iniciada em 2014, a taxa de homicídios recuou 33,4% e o número total de assassinatos diminuiu 29,6%. O Amapá foi o único estado que apresentou crescimento expressivo tanto na taxa quanto no número de homicídios ao longo da década.
Apesar do avanço histórico nos números oficiais, os pesquisadores alertam para uma deterioração na qualidade dos dados. Segundo Daniel Cerqueira, do Ipea, o país vive simultaneamente a redução dos homicídios e o aumento da percepção de insegurança da população, fenômenos que coexistem em parte por causa do crescimento da subnotificação.
O estudo aponta aumento expressivo das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), que chegaram a 3.311 casos em 2024, alta de 23,8% em relação ao ano anterior. No total, 17.207 mortes violentas ocorreram sem definição oficial da causa. O Atlas estima que 7.083 dessas mortes foram homicídios ocultos, não contabilizados oficialmente, crescimento de 88,6% em relação a 2023. Os homicídios ocultos passaram a representar 14,3% dos homicídios estimados em 2024, contra 7,6% no ano anterior.
Os pesquisadores apontam que a subnotificação pode ocorrer por falhas na investigação e pela falta de integração entre polícia e sistema de saúde.
Os dados revelam um Brasil dividido. Entre os estados com menores taxas oficiais de homicídio em 2024 estão São Paulo (6,6 por 100 mil habitantes), Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3), Minas Gerais (12,8) e Rio Grande do Sul (15,2). No outro extremo, Amapá (45,7), Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3) registraram as maiores taxas do país.
Entre as capitais e grandes cidades, 17 das 20 mais violentas estão no Nordeste, enquanto as 20 menos violentas concentram-se nas regiões Sul e Sudeste. O estudo atribui as desigualdades regionais a fatores como desenvolvimento econômico desigual, capacidade institucional dos estados, dinâmica demográfica e presença do crime organizado.
Os dados foram elaborados com informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, ambos do Ministério da Saúde.
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26 Mayo 2026