Lula pede prioridade ao Senado para votar PEC da Segurança e anuncia R$ 11 bilhões contra o crime organizado

Presidente defende criação de "guarda nacional de verdade" e reforço da PF em territórios dominados por facções

Lula pede prioridade ao Senado para votar PEC da Segurança e anuncia R$ 11 bilhões contra o crime organizado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (22) que pedirá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, prioridade na votação da PEC da Segurança Pública, já aprovada pela Câmara dos Deputados. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil.

"Estou aguardando o Senado. Faço até um apelo ao presidente Alcolumbre: coloque para votar a PEC da segurança, que esse país vai resolver definitivamente o problema de segurança", disse Lula.

O que prevê a PEC

A proposta busca elevar à Constituição Federal o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), criado em 2018 por lei ordinária. A mudança pretende ampliar a integração entre União, estados e municípios, reduzir entraves burocráticos, facilitar operações conjuntas e fortalecer o planejamento nacional de segurança pública. A PEC também abre caminho para maior coordenação entre forças policiais e compartilhamento de inteligência.

Guarda nacional e reforço das forças federais

Na entrevista, Lula defendeu o uso da aprovação da PEC como base para ampliar a atuação federal na segurança. Segundo ele, o governo pretende reforçar a Polícia Federal, ampliar a estrutura da Polícia Rodoviária Federal e criar uma "guarda nacional de verdade".

O presidente também criticou o uso frequente de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). "Temos que ter uma polícia profissionalizada com inteligência, para a gente tomar conta da bandidagem", afirmou.

R$ 11 bilhões contra o crime organizado

Lula destacou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado recentemente pelo governo federal, que prevê a mobilização de R$ 11 bilhões. Do total, R$ 1 bilhão virá diretamente do governo federal e R$ 10 bilhões serão destinados a financiamentos para estados e municípios, com foco em inteligência policial, equipamentos, monitoramento e integração entre forças de segurança.

Reconhecimento da insegurança

O presidente admitiu que a população tem razão ao reclamar da violência e reconheceu os limites dos governos estaduais no enfrentamento ao crime organizado. "Os estados, por mais que tenham esforço, não dão conta de combater a criminalidade", afirmou. Lula também mencionou críticas frequentes de governadores sobre solturas rápidas de criminosos presos pelas polícias estaduais.

A PEC aguarda agora análise do Senado Federal. Se aprovada, alterará a Constituição para consolidar o Susp como política permanente de Estado.

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22 Mayo 2026