SUS incorpora novo exame de fezes para rastreamento do câncer colorretal e amplia acesso para mais de 40 milhões de brasileiros

Teste Imunoquímico Fecal passa a ser protocolo nacional para homens e mulheres entre 50 e 75 anos

SUS incorpora novo exame de fezes para rastreamento do câncer colorretal e amplia acesso para mais de 40 milhões de brasileiros

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (21) a incorporação do Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como novo protocolo nacional de rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde. O exame passa a ser a principal estratégia de detecção precoce para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. Segundo a pasta, a medida pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção da doença.

A diretriz foi elaborada por especialistas e recebeu parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em março deste ano.

Como funciona o exame

O FIT é um teste de fezes que identifica pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu, que podem indicar pólipos intestinais, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal. O Ministério da Saúde aponta sensibilidade entre 85% e 92% para detectar alterações suspeitas.

O paciente recebe um kit para coleta domiciliar, faz a coleta em casa e envia o material para análise laboratorial. Em caso de resultado positivo, é encaminhado para exames complementares. O principal deles é a colonoscopia, considerada padrão-ouro para avaliação do intestino, pois permite visualizar diretamente cólon e reto, identificar lesões e retirar pólipos durante o próprio procedimento.

Entre as vantagens do FIT em relação aos testes anteriores de sangue oculto nas fezes estão a dispensa de preparo intestinal e de dieta restritiva, o uso de apenas uma amostra, menor invasividade e maior precisão. O exame utiliza anticorpos específicos para detectar sangue humano, o que aumenta a confiabilidade do resultado e, consequentemente, a adesão da população ao rastreamento.

Cenário da doença no Brasil

O câncer colorretal é atualmente o segundo tipo mais frequente no Brasil, excluindo tumores de pele não melanoma. Estimativa do Instituto Nacional do Câncer aponta cerca de 53,8 mil novos casos por ano no triênio 2026–2028. Um estudo recente citado pelo governo indica que as mortes pela doença podem quase triplicar até 2030, cenário que reforça a urgência do rastreamento em larga escala.

Especialistas apontam o diagnóstico tardio como um dos principais fatores de agravamento do quadro, já que muitos pacientes descobrem a doença em estágio avançado, quando as possibilidades de tratamento são mais limitadas.

Noticias(d)

21 Mayo 2026